mulher no climatério.

Menopausa e climatério: o que você precisa saber sobre essas fases da vida

Entrevista com a dra Samantha Pessôa

A transição para o fim da fase reprodutiva é um momento natural na vida de toda mulher. Mas mesmo sendo algo esperado, ainda existem muitas dúvidas e inseguranças sobre o que realmente acontece durante o climatério e a menopausa.

Para esclarecer essas questões de forma acolhedora, convidamos a Dra. Samantha Ramos Toledo Pessôa, ginecologista obstétrica e especialista em medicina fetal e menopausa, para uma conversa franca e acessível sobre sintomas, mudanças no corpo, qualidade de vida e formas de lidar com esse período com mais equilíbrio e bem-estar.


Dra. Samantha: É bem comum essa confusão, e entender a diferença ajuda bastante. A menopausa é o nome dado à última menstruação da mulher, que acontece, em média, por volta dos 50 anos. Mas a gente só confirma que essa é mesmo a última menstruação depois de 12 meses consecutivos sem menstruar.

Já o climatério é um período mais longo, que pode começar anos antes da menopausa e se estender depois dela. É uma fase de transição que marca o fim da fase reprodutiva. Ou seja, a menopausa acontece dentro do climatério. Durante esse período, o corpo passa por várias mudanças hormonais que podem trazer sintomas bem marcantes.


Os sintomas mais conhecidos são os famosos calores (ou ondas de calor), suores noturnos, alterações no sono, mudanças de humor, perda da memoria, ressecamento vaginal e queda da libido. Mas é importante lembrar que cada mulher vive esse período de um jeito único. Algumas sentem muitos sintomas; outras, quase nada. Isso depende de fatores genéticos, do estilo de vida, da saúde geral, entre outros.

Além disso, sintomas menos falados, como ansiedade, irritabilidade, falta de concentração, fadiga, perda da massa muscular, ganho de peso, secura da pele e secura ocular também podem estar presentes.


Isso acontece porque o corpo passa por uma redução gradual dos hormônios, especialmente o estrogênio. Esse hormônio tem função em várias partes do organismo: na pele, nos ossos, no coração, no cérebro… Quando ele começa a diminuir, essas áreas sentem o impacto.

Além das mudanças físicas, há uma parte emocional importante. É uma fase em que muitas mulheres estão vivendo outras transições: os filhos crescendo, mudanças na carreira, desafios familiares. Isso tudo somado ao efeito hormonal pode gerar esse sentimento de “não se reconhecer”.


Essa é uma excelente pergunta. Quando os níveis hormonais caem, a mulher fica mais suscetível a alguns problemas de saúde a longo prazo, como:

  • Osteoporose: a perda de massa óssea se acelera, o que aumenta o risco de fraturas;
  • Doenças cardiovasculares: a proteção natural que o estrogênio oferece ao coração diminui, aumentando o risco de hipertensão, infartos e AVC;
  • Alterações no metabolismo: é comum haver ganho de peso e mudanças na distribuição da gordura corporal;
  • Ressecamento da pele e mucosas: o que afeta também a saúde íntima.

Por isso, é fundamental manter o acompanhamento médico regular, mesmo após o fim da menstruação.


Sim, existem várias possibilidades. O tratamento mais conhecido é a terapia hormonal, que pode aliviar bastante os sintomas e prevenir complicações como a osteoporose. Mas ela não é indicada para todas as mulheres. Por isso, a avaliação individual é essencial.

Além disso, temos alternativas não hormonais, como:

  • Fitoterápicos;
  • Atividade física regular;
  • Alimentação equilibrada;
  • Terapia cognitivo-comportamental;
  • Lubrificantes vaginais para melhorar o bem-estar sexual.

O mais importante é saber que não é preciso sofrer em silêncio. Existe ajuda, e cada mulher pode encontrar uma abordagem que funcione para ela.


Não existe uma idade exata, mas o ideal é que a mulher comece a cuidar da sua saúde ginecológica desde a juventude. Mulheres que já mantêm bons hábitos — como alimentação saudável, prática de exercícios, controle do estresse e acompanhamento médico — costumam enfrentar essa fase com mais tranquilidade.

Mas mesmo que a mulher chegue ao climatério sem esse preparo, sempre é tempo de cuidar da saúde. O corpo feminino é muito adaptável, e mudanças positivas podem ser feitas em qualquer fase da vida.


A primeira coisa é entender que o climatério não é o fim de nada. É só uma nova fase, com seus desafios, mas também com suas descobertas. Algumas dicas práticas:

  • Exercícios físicos regulares, especialmente os que trabalham força e resistência;
  • Alimentação rica em cálcio, vitamina D e antioxidantes;
  • Sono de qualidade, com rotina de descanso;
  • Cuidado com a saúde emocional, inclusive com o suporte de terapias ou grupos de apoio;
  • Conversas abertas sobre sexualidade — muitas mulheres sofrem com dor, desconforto ou falta de desejo e acham que é “normal da idade”. Mas tem solução!

O mais importante é olhar para si com carinho. Essa fase pode, sim, ser uma oportunidade de reconexão com o corpo e com o que faz bem.


Além dos exames de rotina (como papanicolau e mamografia), é importante avaliar:

  • Densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
  • Perfil lipídico e glicemia para monitorar colesterol e risco de diabetes;
  • Ultrassons ginecológicos, que ajudam a investigar eventuais alterações nos ovários e útero.

Esses exames fazem parte de um cuidado mais amplo, e ajudam a identificar precocemente qualquer alteração.


Eu diria: você não está sozinha. Muitas mulheres passam por isso e sentem as mesmas dúvidas, inseguranças e desconfortos. Mas a diferença está em buscar informação de qualidade, procurar ajuda médica e não aceitar que o sofrimento é “normal”.

O climatério e a menopausa fazem parte da vida, mas não precisam ser sinônimo de dor, desconforto ou isolamento. Com o cuidado certo, é possível passar por essa fase com leveza, saúde e até redescobertas pessoais.


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Imagem: Canva